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Dá para contar com os avós alemães?
Pais & Filhos

Dá para contar com os avós alemães?

Larissa Larissa da Costa
10 de maio de 2017
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Essa pergunta é um pouco delicada de responder, pois as pessoas vivem diferentes experiências de acordo com a família que tem.

Mas, respondendo a pergunta de forma bem generalizada, eu diria: os avós alemães são menos disponíveis e dispostos que os brasileiros. Vou contar a minha experiência com meus sogros alemães.

Meu marido tem duas irmãs, uma mais velha e uma mais nova. A primogênita casou-se muito jovem e teve o primeiro filho com 27 anos. Meus sogros tornaram-se avós muito novos, minha sogra com 55 e meu sogro com 57 anos. Meu sogro já estava aposentado na época (aposentou-se mais cedo por causa de problemas cardíacos), tinham, portanto, muito tempo e disposição para cuidar do primeiro neto.

E assim foi, eles ajudaram muito a minha cunhada com os filhos. Ela voltou a trabalhar em tempo parcial quando o pequeno tinha um ano, logo depois teve o segundo filho e sempre pode contar com a ajuda dos seus pais em caso de doença das crianças, férias ou seja lá o que fosse. Meus sogros foram, e são, para os primeiros netos, muito presentes, dispostos e disponíveis.

Dez anos depois do nascimento do primeiro neto, e sete da neta, chegou a nossa vez. Eu e meu marido nunca moramos na mesma cidade que a família dele, mesmo assim, a euforia foi grande, meus sogros vieram para o nascimento do nosso primeiro filho e a minha expectativa era que eles fossem avós presentes e disponíveis como tinham sido até então com os outros netos. Ledo engano, nunca pude contar com a ajuda deles.

Durante toda minha primeira gravidez, e o primeiro ano de vida do meu primogênito, passei as semanas sozinhas em Mannheim, pois meu marido tinha assumido um projeto, na filial da empresa na qual trabalhava, em Dresden. Mannheim e Dresden são duas cidades distantes 550km uma da outra. Meu marido ia e vinha todos os finais de semana de carro. E eu, na insegurança da primeira gravidez e do primeiro filho, segurei a onda sozinha. Meus sogros tinham tempo e saúde para poder me ajudar, mas nunca se ofereceram para isso nem mostraram preocupação com a minha situação.

Até então eu tinha tido sempre um bom relacionamento com meus sogros. Depois do nascimento do meu filho, a decepção com a sua falta de interesse, com a falta de disponibilidade em oferecer ajuda, as visitas raras, geraram um conflito muito grande entre nós. Eu e meu marido tínhamos muita expectativa que os meus sogros fossem presentes, dispostos e disponíveis como o foram para os primeiros netos. E tal como a expectativa grande, a decepção foi maior ainda. Na época meu marido se indispôs com seus pais, questionou o papel de avós e o porque dessa atitude conosco. Eles reconheceram, em parte, o afastamento, mas nunca mudaram de atitude.

Para mim o golpe foi muito duro. Brasileira acostumada com o afeto, entusiasmo, disponibilidade dos meus pais, que, mesmo morando longe, sempre viram e conviveram com meus filhos muito mais que os avós alemães, aceitar a ausência do convívio, da ajuda dos sogros foram temas de muitas sessões de terapia.

Por muito tempo busquei respostas para justificar esse comportamento e as que encontrei foram: eles cansaram de exercer o papel de avós, não querem mais ter compromissos, já estão com a paciência esgotada de crianças pequenas,mas, na realidade: não querem saber dos netos e pronto. Muito difícil de entender, de aceitar, mas tive que resignar-me, não tenho como forçar o convívio.

Portanto, voltando a pergunta inicial: eu, infelizmente, nunca pude contar com meus sogros para nada. Mas isso não quer dizer que não hajam Omas e Opas legais e dispostos a ajudar por aí. Mesmo porque, os meus sogros já foram assim, só que se cansaram.

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Larissa da Costa
Larissa da Costa
Autor
Vim para a Alemanha em 2002 aventurar-me em terras desconhecidas e a maior delas tornou-se a maternidade, quando, em 2010 virei mãe de um menino e em 2013 de uma menina. Mantenho um blog próprio chamado brasanha.de aonde narro minhas experiências aqui na Alemanha.

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