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Negócios brasileiros em tempos de Coronavírus
Sociedade

Negócios brasileiros em tempos de Coronavírus

Clarissa Clarissa Gaiarsa
16 de abril de 2020
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Imagem: Kelly Sikkema

Como todos sabemos, a situação atual provocada pelo Coronavírus não está sendo fácil para ninguém. Não apenas pelo confinamento e dias de sol passados em casa, sem aproveitar a primavera que chegou, mas porque muitos estão perdendo seus empregos, ou tendo que parar seus projetos artísticos e culturais, já que tantos eventos foram e ainda estão sendo cancelados. Calcula-se que há por volta de cinco milhões de freelancers, além de milhares de startups e pequenas empresas, na Alemanha. Muitos brasileiros que moram no país estão nesse grupo de pessoas afetadas.

 Como será que eles estão se virando nesse momento? Será que quem não tem perspectivas de perder o emprego, e está em uma posição relativamente estável, pode contribuir para os pequenos negócios e artistas brasileiros que moram no país? E como fazer isso? As iniciativas para ajudar são muitas, em Berlim já foram criadas criadas duas plataformas, a Helfen.Berlin e a co:berlin para que essas pequenas empresas, além de restaurantes e artistas, possam divulgar seus trabalhos e receber algum tipo de auxílio. Também uma página no Facebook para unir quem está precisando e quem pode ajudar foi criada. Criatividade e imaginação não faltam do lado de quem precisa. 

Soluções criativas para o momento e adaptações para o mundo on-line

 Lidi é uma das brasileiras que teve seus negócios afetados. Moradora de Munique, ela possui uma loja on-line, a Mimos Kreative Atelier, que oferece serviços de papelaria, principalmente para eventos. As vendas caíram com a situação, e mesmo possuindo seus negócios on-line, ela se preocupa com a saúde das pessoas no momento de entrega, por isso tem atendido a quem a procura, mas de forma reduzida. Lidi também é mãe e essa passou a ser sua principal atividade, com criança em casa todo o tempo, além de fazer alguns cursos on-line. Ela recomenda que os pequenos empresários e donos de negócios continuem usando as redes sociais, divulgando seus produtos e serviços e lançando algumas possibilidades, como um vale-compras para ser usado futuramente. “É um momento para pensar em novas estratégias, em como continuar, e o que oferecer quando tudo isso passar”, completa ela.

 Assim também pensa a fotógrafa Roberta Caldas Schmoi, que mora em Berlim e infelizmente não tem como continuar trabalhando, mas pode seguir recebendo e planejando sua agenda para quando a pior fase do vírus passar. Roberta está oferecendo futuros ensaios fotográficos com 20% de desconto e, para casamentos, 10% de desconto, caso o contrato seja fechado agora.

 No ramo de restaurantes e cafés, as opções são muitas. Muitos estão se mantendo com a possibilidade de entregas on-line e, por que não, de vouchers que podem ser utilizados futuramente, quando tudo voltar ao normal. É o caso do Meta Mate Bar, que continua fazendo entregas em Berlim, de terça a sábado, das 12h às 18h, mas abriu a possibilidade também de pré-compras para que as pessoas possam reservar o produto e receber mais tarde.

 Já quem trabalha com esportes, teve que migrar completamente para o ambiente on-line. Rob Mariano, personal trainer que trabalha em Berlim na área há quatro anos, contou para o Batatolandia como está se virando. Além de elaborar um material para os clientes continuarem o treinamento em casa, ele aumentou a divulgação do seu trabalho fazendo uma aula aberta de 50 minutos no Instagram, todas as quartas-feiras.

 Serviços menos afetados, as escolas de idiomas começaram a migrar do ambiente físico para o on-line, mas algumas, como a Berlínguas, apenas aprimoraram um serviço que já ofereciam. A escola está no mercado há oito anos e Marco Ryan, um dos donos da escola, diz que estão aproveitando para mostrar às pessoas como o ensino on-line funciona bem para o aprendizado de novas línguas. Marco explica que está vendo essa crise como oportunidade e sem se apavorar. Ainda assim, afirma que ela pode afetá-los, pois muitos alunos estão com receio de investir em classes de idiomas no momento, e dando prioridade a outras necessidades mais essenciais.

 Já a Go Easy Berlim, que também oferece aulas de alemão com escolas parceiras, está aproveitando também o momento para promover as classes no ambiente on-line. A empresa oferece outros serviços como intercâmbios e turismo, mas com a situação atual, não podem fazer muito nessas áreas. Rafael Gouveia, um dos sócios da Go Easy, ressalta que eles continuam trabalhando e respondendo às perguntas dos clientes de casa. “Órgãos como o departamento de estrangeiros e Jobcenter, já começam a aceitar aplicações on-line/correio. Assim, conseguimos continuar com nosso trabalho a distância. Além disso, temos ajudado muitos brasileiros que moram em Berlim a tirar dúvidas sobre o “Kurzarbeitergeld” ou como pedir ajuda para o governo, caso pertença a algum grupo afetado pelo corona”, completa ele.

 Ajudas do governo e como solicitá-la

 Fora as soluções criativas e adaptações de todos no momento, o governo alemão está disponibilizando uma ajuda para quem precisa e muita gente já recorreu a ela. Além do Kurzarbeit, que mencionamos nesse artigo, e pelo qual algumas empresas optaram para manter seus funcionários, há algumas possibilidades disponíveis para autônomos e pequenas empresas. No programa emergencial de ajuda, Soforthilfe-Programm, a Alemanha prevê um repasse total de 40 bilhões de euros, 10 bilhões em ajuda imediata e 30 bilhões em empréstimos. Se o dinheiro solicitado e repassado não for comprovadamente necessário, ele vira um empréstimo e a empresa ou o freelancer terá que retornar o valor posteriormente.  

 Como saber se você pode pedir ajuda ao governo?

 Antes de tudo, você deve ter seu registro na receita fiscal alemã, seja como freelancer ou como empresa, além de uma residência local e permissão de trabalho, com visto apropriado ou cidadania europeia.

 Para ajuda imediata, trabalhadores autônomos e empresas com até cinco funcionários podem solicitar um valor não-retornável de até €9.000. Já empresas com até 10 funcionários podem fazê-lo por um valor de até €15.000. Esses valores são considerados para uso por um período de três meses.

 Quem fizer a solicitação deve confirmar que está encontrando dificuldades financeiras como resultado da pandemia do coronavírus. Além disso, as empresas devem comprovar que não possuíam nenhuma dificuldade no dia 31 de dezembro de 2019, e portanto não querem aproveitar o momento da epidemia para salvar seus negócios. É possível registrar-se até o dia 31 de maio de 2020.

 Lembrando que, para receber o dinheiro, você deve registrar uma conta de banco alemão. O dinheiro deve ser declarado posteriormente como renda (ou lucros no caso de empresas), na declaração de 2021, e você pagará os impostos devidos. Ainda não se sabe como será feita a verificação dos dados enviados por todas as empresas e freelancers, mas caso haja alguma contradição no registro, e perceba-se que houve alguma fraude, o governo poderá cobrar o dinheiro, ou parte dele, de volta.

 Saiba mais sobre o programa e esclareça suas dúvidas

 Esse artigo não tem a intenção de esclarecer todas as dúvidas sobre o programa de ajuda. Para isso, consulte materiais oficiais disponíveis on-line ou entre em contato pelos números de telefone oficiais. Abaixo, indicamos alguns sites, blogs e páginas do Facebook que podem ser úteis.

 Site oficial em alemão sobre o programa: https://www.kfw.de/KfW-Konzern/Newsroom/Aktuelles/KfW-Corona-Hilfe-Unternehmen.html

 Mais informações em inglês:

 Artigo publicado no grupo Berlin Freelancers, traduzido em inglês da versão original em alemão

 Blog Settle in Berlin

 Art Connect Magazine 

 Formulário para freelancers com dicas em inglês

Para finalizar, caso você tenha algum negócio na Alemanha ou seja freelancer e queira divulgar seu trabalho profissional, artístico ou esportivo, que esteja disponível on-line no momento, entre em contato conosco  e podemos acrescentar seus serviços no artigo. Fiquem em casa e mantenham-se com saúde!


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Clarissa Gaiarsa
Clarissa Gaiarsa
Autor
Soteropolitana e brasileira de nascimento, e italiana no passaporte, sou jornalista, tradutora e produtora de conteúdo, apaixonada por música, línguas e viajar. Já vivi em 5 países: Brasil, Espanha, Estados Unidos, Grécia e atualmente na Alemanha. Adoro compartilhar experiências e ajudar os iniciantes na arte de morar fora do nosso país.

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