Brasileiros na Alemanha Catedral na Italia

Publicado em 19 de agosto de 2014 | por Celso Luiz F. Fernandes

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Estudar ou morar no exterior – Aventura na Itália Parte 1

Hoje divulgamos aqui o relato da Simone. Ela é uma Brasileira que viveu na Itália por um tempo, retornou ao Brasil e está atualmente se preparando para uma possível mudança para Alemanha. Apesar deste relato ter se passado na Itália, e não na Alemanha, ele representa muito bem alguns dos problemas que o recém-chegado acaba enfrentando aqui na Europa.  Aproveitem!


 

Hoje pela manhã recebi um vídeo de uma amiga que mora no exterior há sete anos. Em 2007, em companhia do então namorado, decidiu ir para Alemanha. Apesar da relação como casal não ter dado certo, eles optaram por continuar no exterior cada um seguindo o seu próprio caminho. Este ano resolveram se reencontrar para fazer um vídeo e deixar dicas, a partir de suas experiências, para aqueles que gostariam de embarcar no sonho de viver ou estudar no exterior.

Ao ver o vídeo, não pude deixar de reviver a minha própria experiência, quando em 1997, pedi uma licença sem vencimentos da escola de línguas que trabalhava na época, vendi meu carro, e assim como eles, fui estudar na Itália. Apesar de termos escolhido países e momentos diferentes, existe muitas coisas em comum em nossas histórias: a venda do carro, o perrengue de dinheiro, adaptar-se em uma nova cultura. Este é o nome do jogo! Aí vai o meu relato sobre algumas coisas que vivi e sobrevivi:

O dinheiro que levei, e que deveria durar seis meses, era usado para pagar o curso, a moradia e a comida. Tudo tinha que ser muito bem administrado, pois a sua estadia no país depende do quanto você consegue economizar. Usar bem o dinheiro é fundamental. Temos que estipular uma quantia a ser gasta por dia.

O meu objetivo era prestar o CILS – certificado de língua italiana para estrangeiros. Quando fui já falava bem a língua e por esta razão foi difícil encontrar uma turma para mim, em geral, as pessoas que viajam para fazer cursos de língua no exterior procuram por um curso mais básico. Deste modo, tive que optar por fazer aulas particulares para me preparar para o exame. As aulas custavam ainda mais caras do que as aulas em grupo. No primeiro mês fiquei em Florença, pois havia recebido uma bolsa de 50% de desconto que me foi oferecida pelo instituto Italiano de cultura para um curso regular de língua. Estudei em Florença um mês e dividi um apartamento com uma amiga brasileira que foi comigo. O curso de Florença não foi nada de excepcional, o que valeu a pena são as pessoas que conheci. Ao final do curso, a minha amiga voltou para o Brasil e eu fui para Rimini, pois lá poderia fazer o curso preparatório para o CILS. O dono da escola era um tipo estranho, cheio de tiques, mas divertido. A escola tinha convênio com algumas famílias que hospedavam os alunos.

A primeira casa que morei com uma senhora foi difícil de me adaptar: havia gatos que subiam na mesa durante as refeições, o vizinho de cima era um tipo muito estranho que batia na porta para reclamar de barulho, que não fazíamos. Éramos eu, a senhora e uma outra aluna russa que também morava lá, mas mal nos falávamos. Além disso a senhora era daquelas bem avarentas que reclamava até se eu precisasse aquecer uma piadina (se parece com uma massa muito fina de pizza, produto típico da Emília Romagna). Depois de uma semana e meia, não aguentando mais, pedi a escola para mudar de família. São em momentos como este que começamos a sentir saudade de casa, mas passa! Tudo passa! De fora é como se começássemos a enxergar um outro Brasil, uma outra família, a perceber quem são os verdadeiros amigos que deixamos, afinal, a distância te faz ver as coisas de uma outra perspectiva. Isto por si só já vale a pena como experiência de vida. Mas espera aí, ainda tem muito mais pela frente!

Fui transferida para uma casa, que se fechar os olhos me lembro nitidamente ainda do dia em que cheguei lá. A dona da casa estava limpando o chão e aquele cheiro de lugar limpo me cativou imediatamente. Nesta casa vivi os cinco meses mais turbulentos e ao mesmo tempo mais divertidos que passei na Itália.

A parte turbulenta aconteceu logo nas primeiras duas semanas, a minha anfitriã e o marido tiveram brigas violentas: gritos, berros, socos e eu me trancava no quarto e não sabia o que fazer. E agora? Para onde vou?

Finalmente não foi preciso que eu saísse de lá, pois o marido resolveu sair de casa. Descobri que ele era um traficante de drogas: este era o motivo das brigas, pois sua mulher, minha anfitriã, havia jogado no mar um pacote de entorpecentes que havia encontrado em casa e ele queria saber onde estava.

Daí eu quase morri! Imagine só uma brasileira, sozinha, com medo de que algo grave acontecesse, e se ela também estivesse metida na história?! Mas como o sujeito tinha ido embora, achamos que agora estava tudo bem.

Porém, um dia acordamos e quando fomos pegar o carro que ficava parado em frente de casa, o carro estava todo amassado. Ele havia destruído o carro! Mas este foi o último momento trágico pelo qual passei nesta casa. Depois disto nos tornamos grandes amigas. A tragédia, a tristeza e a solidão aproximam as pessoas.

Como estava em um país diferente e o pior, durante um inverno rigoroso, um outro problema foi que eu não tinha roupas apropriadas, afinal, vivemos em um país tropical. O meu dinheiro me permitiu comprar somente um par de botas e um bom casaco de frio preto. Esta roupa foi a que usei durante todo o inverno, mas trocava de calça e de camisa, pelo menos!
Mas, no final, percebemos que é possível viver com pouco quando estamos focados em um objetivo…

To be continued.


Sobre o autor

é um brasileiro que foi morar na Alemanha em 2007. Numa manhã fria em Abril de 2008, ele estava entediado no sue apartamento aguardando uma decisão sobre seu visto de estudante. Sem ter muito o que fazer, ele resolveu iniciar um blog para escrever sobre os seus perrengues iniciais na Alemanha. O blog cresceu e virou BATATOLANDIA!



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